SAP S/4HANA, RISE with SAP e IA: o que muda na estratégia de evolução do ERP
A migração do SAP ECC para o S/4HANA deixou de ser uma decisão sobre se modernizar e passou a ser uma questão de como e quando fazer a transição.
O prazo de suporte está definido, enquanto os investimentos da SAP em novos recursos estão cada vez mais direcionados ao S/4HANA. Ainda assim, uma parcela relevante da base instalada permanece no ECC.
Esse cenário cria um ponto de atenção para as lideranças: postergar definições importantes reduz o tempo disponível para estruturar arquitetura, dados, testes e execução com segurança.
Por que 2027 precisa estar no planejamento agora
A SAP estabeleceu o fim da assistência ao ECC em diferentes etapas. Por isso, tratar 2030 como um período confortável pode levar organizações a postergar decisões que já deveriam estar em execução.
Cronograma do SAP ECC (EHP, Enhancement Package, versões de 6 a 8)
- Manutenção principal (mainstream): termina no fim de 2027. As versões anteriores (EHP 0 a 5) saíram em 2025;
- Manutenção estendida: de 2028 a 2030, com taxa adicional de 2% sobre contratos vigentes;
- Manutenção específica do cliente (após 2030): sem adequação a novas exigências legais, sem support packages e com correções restritas a incidentes já conhecidos;
- Suporte até 2033: existe pela SAP ERP, private edition, transition option, com contratação a partir de 2028, uso entre 2031 e 2033 e implementação para o SAP ERP, private edition sobre HANA até o fim de 2030.
O mercado, porém, ainda está distante de uma renovação ampla. Segundo o Gartner, somente 39% dos 35 mil clientes ECC no mundo haviam transicionado para o S/4HANA até o fim de 2024. A projeção é que mais de um terço desse público, cerca de 13 mil operações, ainda permaneça no ECC em 2030.
A IDC projeta que 40% a 45% dos usuários de ECC ainda estarão no legado em 2027. No levantamento da DSAG, 37% planejam concluir o projeto até 2027, enquanto 49% indicam a sustentação estendida como caminho para completar até 2030.
Os levantamentos consideram bases distintas: Gartner e IDC analisam o mercado global, enquanto a DSAG representa principalmente usuários de língua alemã. Apesar das diferenças metodológicas, as informações convergem em um ponto: 2030 precisa estar incorporado desde agora ao orçamento, ao desenho técnico e ao cronograma de transição do ERP.
“O prazo de 2027 torna urgente a preparação das empresas para a migração do ECC. Nesse contexto, a adoção dos princípios de Clean Core, antes e depois da implementação, será fundamental para garantir mais agilidade, sustentabilidade e eficiência à evolução do ambiente SAP.”
Carlos Bernardo, Head Delivery SAP da Prime Control.
Como o SAP Business AI Platform amplia a estratégia de IA no S/4HANA
A estratégia de Inteligência Artificial da SAP avança com o SAP Business AI Platform (BAIP), que reúne funcionalidades de tecnologia, dados, contexto de processos e governança em uma plataforma integrada para aplicações e agentes de IA. Nesse modelo, os recursos do SAP Business Technology Platform (BTP) continuam tendo papel essencial na integração, extensão e execução dessas soluções.
O Joule, assistente de IA generativa da SAP, evoluiu para agentes autônomos capazes de conduzir fluxos de trabalho de ponta a ponta. Esses recursos estão concentrados nas ofertas em nuvem da SAP, enquanto o ECC permanece fora dessa camada nativa de inovação.
Diante disso, o Clean Core deixa de ser apenas uma diretriz arquitetural. É uma condição para capturar valor da nova plataforma sem transformar cada fase em um novo ciclo de customização e adequação. O sinal do mercado reforça essa pressão.
Segundo a DSAG, 43% dos clientes SAP já implementaram algum caso de uso de IA e muitos recorrem a fornecedores externos ao ecossistema SAP.
Para as empresas que permanecem no ECC, o dilema passa a ser duplo: postergar a modernização do ERP e, ao mesmo tempo, limitar o acesso às funcionalidades nativas de IA que a SAP está incorporando à plataforma.
O desafio é avançar com controle
A mudança do ECC para o S/4HANA não deve ser tratada como uma simples atualização de versão. Ela envolve técnica, dados, integrações, infraestrutura, testes e, em muitos casos, ajustes estruturais na forma de operar.
O estudo Business Transformation Unlocked: Maximizing the Benefits of SAP S/4HANA, da Horváth (2025), evidencia a dimensão desse esforço:
- Mais de 60% das empresas relatam estouro de orçamento ou cronograma;
- Os atrasos são, em média, 30% superiores ao planejado;
- Dois terços das empresas se declaram insatisfeitas com a qualidade do resultado;
- Entre as principais causas estão a expansão de escopo, as falhas de condução do projeto e a subestimação das etapas de testes e transferência de dados.
A pesquisa ouviu 200 empresas usuárias de SAP, com receita anual a partir de € 200 milhões, na região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça), em países selecionados do Norte e do Leste da Europa e nos Estados Unidos.
Outro levantamento, realizado pela Precisely com a ASUG (Americas’ SAP Users’ Group) e publicado em novembro de 2025, aponta os fatores associados aos desvios: revisões nas cadeias de negócio (49%), customizações e legado (44%) e resistência organizacional (37%).
A questão central é que grande parte desses riscos não está na tecnologia em si. Está na preparação: escopo, qualidade da base histórica, desenho de processos e cobertura de testes.
São variáveis que podem ser antecipadas, mensuradas e governadas.
Em uma atualização SAP global no setor de alimentos, a Prime Control atuou com centenas de profissionais em três continentes e milhares de cenários de teste, contribuindo para a estabilidade do negócio desde o primeiro dia.
Aceleração com novas decisões de governança
O RISE with SAP (oferta de transformação para a nuvem que combina ERP, infraestrutura e serviços gerenciados em um contrato único) simplifica boa parte da jornada. O modelo oferece um ambiente em nuvem com atualização contínua e tira do time interno o peso de gerenciar a infraestrutura.
A decisão não está só na tecnologia escolhida. Esse modelo também altera a forma de operar o ERP e, consequentemente, reconfigura as responsabilidades, os níveis de controle e os critérios de governança que precisam ser avaliados antes de assinar.
| Contrapartida | O que avaliar antes da contratação |
| Termos de saída e egress de dados | A movimentação de dados para fora do ambiente gerenciado e as condições de encerramento precisam estar claramente definidas no contrato. Em operações com integrações complexas e estratégias multinuvem, esse item ganha peso. |
| Rigidez operacional | Menor controle direto sobre janelas de atualização, configurações e ritmo de entregas pode exigir readequações nas dinâmicas de execução e controle de TI. |
| Responsabilidade compartilhada | O modelo redistribui tarefas entre SAP e cliente, mas não elimina a necessidade de validação, monitoramento e gestão da qualidade. É fundamental definir papéis, SLAs e responsabilidades. |
| Custo e licenciamento | Na DSAG, 79% apontam a relação custo-benefício do software SAP como o maior desafio e 70% citam desenho de licenciamento e contratos. |
| Grau de lock-in | A contratação integrada simplifica a gestão, mas concentra ERP, infraestrutura e serviços em um único fornecedor. Isso pode aumentar a complexidade de uma futura revisão de estratégia ou fornecedor. |
Nenhum desses pontos invalida o RISE with SAP.. Eles mostram que a escolha entre essa abordagem, a private edition e o on-premise não é automática. O próprio dado da DSAG reforça isso: 42% ainda direcionam investimento alto ou médio para o S/4HANA on-premise, contra 22% para nuvem privada e 6% para nuvem pública. A decisão certa depende de um estudo de sistemas e de um plano de testes desenhado para o arranjo escolhido.
Como a Prime Control atua na evolução para o SAP S/4HANA
Os dados apresentados apontam para uma conclusão objetiva: o risco não está só na escolha da tecnologia, mas na capacidade de antecipar e controlar todos os impactos.
Estrutura técnica, customizações, informações, integrações, fluxos de negócio e experiência do usuário precisam ser validados de ponta a ponta. É nesse contexto que a Prime Control atua, apoiando todo o processo antes, durante e depois da entrada em produção.
Especializada em Quality Assurance (garantia de qualidade de software), hiperautomação e serviços SAP, a Prime Control é líder pelo 5º ano consecutivo no quadrante Continuous Testing Specialists do estudo ISG Provider Lens™ AI-driven ADM Services, da ISG (Information Services Group), e é SAP Silver Partner.
A combinação entre conhecimento do ecossistema SAP e excelência em testes permite atuar sobre os principais pontos de exposição, da análise do legado à estabilidade da operação.
Prime SAP AI: Inteligência Artificial aplicada à análise do ambiente SAP
Nessa frente, a Prime Control desenvolveu o Prime SAP AI, acelerador baseado em IA que analisa as customizações do ambiente atual, identifica a exposição técnica de cada uma, recomenda alternativas alinhadas aos princípios de Clean Core e às possibilidades de extensão do ecossistema, incluindo recursos do BTP ao BAIP.
O objetivo é reduzir o esforço e ampliar a rastreabilidade de uma das fases mais sensíveis: entender o legado antes de decidir o que deve ser mantido, adaptado ou substituído.
Serviços SAP para uma jornada com governança
- Arquitetura e Clean Core: avaliar as customizações e a aderência arquitetural antes do desenvolvimento;
- Qualidade e testes: executar testes de integração, performance, segurança e regras de negócio, com automação e ampliação da cobertura;
- Preparação para entrada em produção: validar cenários críticos, sequência de transição e planos de contingência antes do go-live;
- Estabilidade no pós: monitorar e analisar continuamente a experiência e o comportamento do sistema.
- Governança: conectar a TI e o negócio, com indicadores que permitem acompanhar riscos e resultados ao longo do projeto.
A decisão começa antes
Se a migração do SAP ECC ainda não está respaldada por um plano consistente de testes, infraestrutura e governança, o risco não está restrito à data. Está na capacidade de executar a transformação dentro do prazo, do orçamento e do nível de entrega esperado.
A escalada para o S/4HANA exige uma abordagem estruturada, capaz de conectar arquitetura, dados, processos e qualidade desde o planejamento até a operação.
É assim que a Prime Control combina conhecimento SAP, engenharia de qualidade e IA para tornar a jornada mais previsível e mensurável.
Fale com os especialistas da Prime Control e conheça o Prime SAP AI.

